Mary

A Grande Pérola

 

 

Filha de Catherine de Aragão e do rei da Inglaterra, Henrique VIII.Ela nasceu no castelo de Greenwich em Londres, em uma segunda-feira ás 4 horas da manhã do dia 18 de fevereiro de 1516. Era uma saudável e robusta menina, e recebeu o nome de Mary, como a irmã favorita de seu pai.Ao contrário do que se diz, não desapontou seus pais por não ser um menino, e sim os alegrou. Provas disso foi que segundo Lorde Montjoy,Henrique VIII era o pai "mais contente que já existiu".   (Mãe de Mary,Katherine de Aragão, em 1531)

Um comentário indiscreto do embaixador da França, que dizia para "enviar logo a ela um irmão, e ser herdeiro certo do trono da Inglaterra",e também que "O rei ficaria mais satisfeito se tivesse sido um filho". O rei Henrique VIII replicou alegremente que "ele e a rainha ainda eram jovens, e depois virão os filhos."

Dois dias após seu nascimento, foi batizada e crismada, com uma roupa que a rainha Katherine trouxera de sua Terra Natal, a Espanha, e seus padrinhos foram o cardeal Thomas Wolsey, a duquesa Agnes de Norfolk e sua madrinha principal foi Margareth  Pole, condessa de Salisburry, qual seria governanta da pequena princesa.   (Pai de Mary,Henrique VIII, em 1540's)

A condessa de Salisburry com cerca de 40 anos, tinha descendência Plantageneta (seu sangue, era considerado muito mais real do que qualquer um dos Tudors). Ela tinha muitos filhos, entre eles Reginald com 15 anos nesta época, que logo viraria melhor amigo da princesa Mary.

Quando ela nasceu, sua mãe já havia feito cinco partos mal sucedidos. Em 1511 veio ao mundo o pequeno príncipe Henry, que morreu dois meses depois. Os outros,ou nasceram mortos, ou tiveram poucas horas de vida. Os desastres abalava a rainha e deixava Henrique VIII preocupado com a sua sucessão.

Em 1519, Mary Tudor, uma criança bonita de cabelos vermelhos e uma pela admiravelmente clara, foi mandada para uma casa  dada de presente por seu pai com sua própria criadagem, qual as cores eram verde e azul. Neste mesmo ano em julho, nasceu o filho bastardo de seu pai com a dama da corte chamada Elizabeth Blount, Henry Fitzroy.

Menos de um ano antes de ir para sua casa, Mary foi prometida ao filho do rei Francis I da França.Quando um embaixador francês foi cumprimenta-la,o rei Henrique VIII orgulhoso da filha que já demonstrava um grande grau de inteligência, tirou o gorro da menina, mostrando os longos e belos cabelos dourados, e disse em latim que a menina nunca chorava. Encantado, o embaixador respondeu que a causa era a emoção de saber que seu futuro era ser a rainha de França.

Em julho de 1520, em uma visita aos pais, tocou virginal para os visitantes, e todos se surpreenderam com a habilidade de uma menina de apenas 4 anos.

Em 1522, o imperador de 22 anos, Charles V, fez uma visita á Inglaterra, pois o noivado da princesa com o filho do rei de França havia terminado, e agora a própria Mary era sua prometida. Ela presenteou-o com cavalos e falcões, e ele a viu "com grande alegria". Estava mais feliz com este noivado do que com o francês. Charles além de ser o imperador, também era o rei da Espanha, país que a rainha Katherine nasceu e amava, e como mãe, transmitiu este amor para a filha (apesar do príncipe francês ter fama de ser mais bonito que o imperador alto e desleixado).

Nas freqüentes visitas que Mary fazia para os reis, a rainha Katherine, logo tratou de dar, ela mesma, as primeiras noções de latim á filha, de modo que em um interessante episódio de 1525, quando a princesa Mary de nove anos foi cumprimentada por embaixadores vindo de Flandres, espantou todos respondendo na mesma língua "com a mesma segurança e habilidade como se tivesse 12 anos", como foi dito.  (Princesa Mary Tudor aos 9 anos)

Com a vitória de 1525, em Pávia, sobre seu maior rival rei de França Francis I, o imperador Charles V, viu com outros olhos o seu noivado inglês. Decididamente, não queria esperar a princesa Mary Tudor completar quinze para ser enviada à ele, como foi tratado. A queria já, e com um vultuoso dote. Assim, despachou um comunicado para o rei de Inglaterra fazendo suas exigências. Entre elas pediu para a princesa ter aulas de espanhol (quais Mary já fazia há alguns anos). Totalmente ignorado, rompeu seu noivado, e casou-se no ano seguinte com a princesa Isabella, irmã do rei de Portugal. Troca válida, já que pouco depois ela lhe daria um filho, Philip. Porém Mary já tinha outro pretendente: o seu primo em primeiro grau, rei da Escócia de 12 anos, James V. As negociações começaram um ano antes, quando ela ainda estava noiva do imperador.

Ainda em 1525, em julho, Mary foi obrigada pelo pai à assistir a cerimônia em Windsor, em que Henrique VIII cobria de honras e títulos seu filho bastardo , Henry Fitzroy, agora duque de Richmond. Ela, como sua mãe, estava totalmente contrariada.  (Ruínas do Castelo de Ludlow)

Porém, para quem pensava que a elevação de Fitzroy iria prejudicar a princesa, estava profundamente enganado. Na semana seguinte, ela foi enviada para o castelo de Ludlow, na fronteira do País de Gales, como administradora titular daquele reino, qual era a residência oficial do príncipe herdeiro.  Sua criadagem foi de uma verdadeira rainha. Foram contratados 165 servidores, chefiada por Margareth Pole a condessa de Salisburry, que a servia fazia muitos anos. Lá, ela iria encontrar uma rigorosa educação, sob o comando do erudito espanhol contratado pela rainha Catherine, Juan Luiz Vives.

Pela primeira vez, Mary usava formalmente seu título real.Pelo fato de ser herdeira do trono, ao invés de princesa para sua criadagem ela era "sua alteza Mary,meu príncipe". É fácil de se compreender, já que uma mulher herdeira do trono era inédito na Inglaterra e o povo há séculos se acostumara a chamar um futuro rei de príncipe.   

Mary tinha facilidade para aprender, sua inteligência crescia a cada dia, e seu padrinho o cardeal Wolsey foi informado que ela era "uma menina tão boa, para sua idade como nunca se viu antes, e de modos e compostura perfeitos". Wolsey acrescentou cumprimentos à afabilidade da afilhada e também à sua conduta digna.  (Margareth Pole, detalhe)

Diferente de seu irmão bastardo (qual cabulava suas aulas para caçar), a princesa Mary Tudor gostava de seus tutores e assistia suas aulas com o maior prazer. Ela estudava aplicadamente a ciências, matemáticas, história e teologia sabia fazer todos os trabalhos de agulha como tricotar e bordar,formou um inglês perfeito em todos os sentidos, aprendeu mais que fluentemente línguas como latim (com apenas onze anos traduziu São Tomas de Aquino do latim para o inglês), espanhol, (língua qual conversava e correspondia-se com a mãe espanhola) francês e italiano, além de ter um certo domínio sobre o grego. Além de Luiz Vives, realizava tarefas dadas pelos excelentes humanistas e eruditos Linacre (seu primeiro tutor, sem falar de sua mãe),Willian Lilly, Sir Thomas More (depois chanceler do Reino),e Erasmo de Rotterdan. Ela leu as mais importantes Obras(Utopia, Elogio a Loucura...). Porém nada a agradava mais que a música, sabendo cantar e dançar belamente e tocar quase todos os instrumentos, tendo especial preferência por flauta, alaúde, virginal e clavicórdio. Tinha um belo canto, mesmo tendo uma voz grave demais. Quando cantava, este pequeno detalhe nem era percebido e não ficava feio , pelo contrário, isto dava uma intensidade totalmente admirável para a sua voz. Mary era, sem dúvidas, a princesa mais inteligente. Sua fama de 'virtuosa, inteligente e bela' já corria por toda a Europa.    

A rainha Katherine, acompanhava fervorosa os estudos da filha. As duas correspondiam-se com grande freqüência, e ela pedia para Mary despachar à ela seus exercícios corrigidos por seu tutor, o humanista espanhol Juan Luiz Vives, qual foi dito "o melhor professor da Europa". Antes de Vives voltar para a Espanha, escreveu um 'guia' para Mary, chamado Education of the Chistian Woman, e deixou sua educação ser prosseguida por Nicholas Udall. Dizia-se que ele usava métodos muito antiquados para com as suas crianças, tipo pancadas e jejum. 

Em 1527, Mary voltou para à corte inglesa para continuar sua educação ao lado de seus pais. Nestes dois anos que esteve fora, tudo havia mudado. Seu pai, o rei Henrique VIII, havia tornado-se um devasso desrespeitando sua mulher com muitas amantes. Uma delas era Mary Bolena, qual juntamente com sua irmã Ana Bolena, havia sido criada na França, servindo a rainha francesa Claude. O fato é que ambas haviam tornado mais francesas do que inglesas, desde os costumes até o modo de se vestirem.

Aconteceu o inesperado:o rei apaixonou-se pela irmã de sua amante Mary Bolena, Ana.

Por Larissa Pitta - marytudor88@yahoo.com.br

 

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Lady Mary,a filha do rei