A Irmã Católica

A Irmã Católica

 

 

Nunca vi nada relacionado a presença de Mary nos funerais de Henrique VIII. Talvez não tenha comparecido, já que seria estranho se a presença tão importante de de 'Lady Mary, meu Príncipe' não tenha sido notada, mas por outro lado, é difícil acreditar que ela uma dama tão educada que até mesmo gostava um pouco do pai, tenha cometido tal indelicadeza. Seja como for, Mary recebeu como herança a fortuna de 3.000.000 libras, e algumas propriedades. Também não há registros da presença de Elizabeth. 

O pequeno Eduardo, então com nove anos, foi aclamado rei Eduardo VI. O povo foi  para a rua comemorar a morte do ''malvado Rei Hall'', e festejar a ascensão do jovem rei Eduardo, filho da "simpática Rainha Jane". Mary tinha 31 anos,e estava tornando-se azeda. Sua relação com o irmão, agora rei, formou-se turbulenta, motivo das desavenças religiosas.    (Mary Tudor aos 31 anos)

Como era menor de idade e demasiado jovem demais para governar a Inglaterra, Eduardo precisaria de Regente Protetor. O indicado para tal cargo foi Edward Seymour, irmão mais velho de Jane Seymour e portanto tio de Eduardo. Seymour não era cruel, mas sua excessiva ambição nos faz confundir seu caráter: diferente de outros governantes, seu prisioneiros eram devidamente alimentados e medicados, tinha uma boa política de tolerância com os católicos e mostrou-se muito benevolente com os pobres durante seu Protetorado. Porém era incompetente politicamente.    

Mary recusou-se comparecer na coroação.Além de alegar que estava de luto pela morte do pai, então indisposta para comparecer em tal festividade, ela como uma 'boa Católica' jamais poderia compareceria em uma cerimônia qual usaria os ritos Calvinistas do rei. Logo, ela retirou-se da corte e hospedou-se em uma de suas residências no campo. A rainha Catherine Parr, agora viúva, casou-se com Thomas Seymour, tio do rei. O fato é que eles se casaram três meses depois da morte do rei, pressa considerada imoral para os padrões da época(e nos de hoje em dia também!).Ao pedir a opinião de Mary sobre o assunto, Catherine decepcionou-se ao ouvi-la dizer que sinceramente achava esta pressa "uma afronta à memória do pai", apesar de esta não ser uma das mais exemplares.Elizabeth também não gostou da idéia, já que estava apaixonada pelo noivo.O fato é que Thomas antes de pedir em casamento Catherine, havia cortejado Mary e Elizabeth, apesar de Mary declarar na época, que só o conhecia de vista. Declaração provavelmente mentirosa, já que ele era irmão da falecida Rainha Jane Seymour, e ela jamais deixaria de apresentar seu irmão favorito para a sua melhor amiga. Mary com certeza comentou isso para não deixar Catherine Parr em uma situação ainda mais constrangedora.Sem nada conseguir algo com ela e com Elizabeth muito menos, casou-se com a rainha.E ela, contrariando os boatos de que seria estéril, engravidou tendo em 1548 uma menina que foi chamada de Mary,em homenagem a amiga .A própria Catherine portanto, morreu em conseqüência do parto alguns dias depois.Foi enterrada na capela do castelo de Sudeley, e as duas meninas que encontravam-se com ela era a própria Elizabeth e Jane Grey, filha mais velha do marquês de Dorset com Frances Brandon, sobrinha do rei falecido rei Henrique VIII. Mary Tudor estava em Woodstock na ocasião e não pôde comparecer a cerimônia.Thomas foi acusado pelo próprio irmão de conspirar com o rei de França, e decapitado no ano seguinte. ( Edward Seymour)

O ano de 1548 foi muito turbulento para Mary: foi proibida de ir à missa.Isso tornou-se uma indignação para ela e para o povo.Nestes últimos nos, a religião foi o único consolo para os mais turbulentos momentos, que estavam se tornando cada vez mais constantes.O rei, seu irmão, estava cada vez mais intolerante para com ela.Como ele mesmo disse, não queria que Mary abandonasse sua religião, mas que apenas obedecesse suas ordens.Ela alegava que estava obedecendo sim, porém apenas não gostaria de se comportar com gestos falsos ou dissimulados. Charles V tomou conhecimento, e ameaçou guerra se não fosse permitido que "sua querida prima e Princesa" freqüentasse as missas.Isso surtiu algum efeito, já que no ano seguinte Mary foi permitida a freqüentar tal culto.   

Em 1549 ,Edward Seymour, o Regente Protetor do rei, foi acusado de favorecer uma grande revolta camponesa.Ele foi preso e julgado em outubro, para em poucos dias seguir o trágico caminho do irmão Thomas.  Agora o novo Regente nomeado era John Dudley. Dudley era um verdadeiro Maquiavel. Tornou-se protestante apenas pelo fato que seus inimigos eram bem aceitos pelo partido Católico, e que os Protestantes lhe apoiavam financeiramente. 

Enquanto toda a Inglaterra borbulhava em agitação, Mary preferiu manter-se o mais afastada possível de todos os conflitos. Recolheu-se em sua residência favorita de Essex, Castelo de Beaulieu, o mesmo donde havia passado algum tempo de sua mais tenra juventude. Sua irmã, Elizabeth, também na mesma política de neutralidade, era uma de suas constantes visitas. Como a irmã mais velha, Elizabeth estava imoral aos olhos do rei: seu suposto romance com o falecido Edward Seymour deixou-o escandalizado. Assim, ambas raramente eram chamadas à corte, e acharam conveniente se unirem neste momento difícil. Mary também recebia visitas de suas primas, especialmente Eleanor Brandon com sua filha, Jane Grey. Jane era calvinista feroz, e recusava-se a usar os pomposos presentes ao gosto católico dados por Mary. Assim como também negava-se a reverenciar o altar da Capela de Beaulieu. Pelo simples prazer de implicar infantilmente com a menina, a cada visita sua, Mary dava-lhe um presente ainda mais exuberante. O fato é que calvinistas não são apegados aos luxos e condenam todos os que usufruem dele.

A próspera Inglaterra deixada por Henrique VIII em 1547, estava se desvanecendo em pouco tempo. A excessiva corrupção do conselho, e a política de "não vejo, não ouço e não falo" de Dudley, agora duque de Nothumberland, estavam arruinando o Estado e esvaziando os Cofres Reais. Até mesmo os protestantes estavam insatisfeitos com a atual situação. O pequeno rei Eduardo nada poderia fazer, já que estava mais distraído em brigas familiares e seus estudos de latim. E também, bem intimidado nas mãos de seus violentos tutores.Vale lembrar, que todas as desgraças ocorridas no reinado de Eduardo VI, não tiveram a mínima participação do próprio.

O radical Protestantismo ainda revigorava: em 1550, foi ordenado que todos as imagens santas fossem retiradas das Igrejas; todos os Livros de Orações, com exceção dos de Cranmer, deveriam ser destruídos; as vestes mantos e toalhas dos altares deveriam ser confiscados; o Governo também se apropriou das esmolas para os pobres, deixadas nas Igrejas; foi permitido o casamento para os padres. Os Católicos foram a loucura, e Mary resignou-se. Ela sabia, que de nada serviria rebelar-se contra o Rei e a facção Dudley. Afinal ele era seu irmão, ela havia sido sua mãe ante a Pia Batismal, e havia jurado fidelidade à ele como seu Soberano. Enquanto isso, Mary Tudor ganhava ainda mais popularidade com o povo.

Eduardo, qual antes era elogiado pela saúde e vitalidade, estava cada vez mais doente: contraiu varíola em 1552 e estava tornando-se cada vez mais delgado e pálido. À Mary, apenas restava orar pela saúde do irmão e esperar a sua provavelmente próxima ascensão ao Trono. Em 1553 a saúde do Rei só fazia piorar, e ele foi desenganado.Ele tossia e escarrava sangue, além de ter erupções por todo seu corpo. Dudley era inteligente o bastante para saber que caso Mary fosse Rainha, seria sábia o bastante para não deixa-lo na Corte e muito menos permitir que ele participasse dos assuntos do Estado. Assim, ele deu sua última cartada: casou seu filho Guilford com Jane Grey, sobrinha neta de Henrique VIII, portanto atrás apenas de Mary e Elizabeth na Sucessão. O objetivo de John Dudley era renegar o Artigo elaborado pelo Rei Henrique em 1544, qual declarava o direito da Sucessão das filhas bastardas ao Trono, e declarar a própria Jane Seymour como a Rainha legal. Dudley convenceu Eduardo, já moribundo,  a pôr a Coroa na cabeça da jovem Jane. O jovem Rei, não padeceu sobre suas enfermidades, e morreu em 6 de julho de 1553.  (John Dudley, duque de Nothumberland)

Para aprisionar a Princesa Mary, o próprio John Dudley cavalgou até Hundson à fim de rende-la. Porém Mary foi mais inteligente, mandou um mensageiro à corte, e logo recebeu a notícia da morte do irmão. Ciente da facção de Dudley e do que planejavam, ela fugiu do castelo disfarçada de leiteira com algumas criadas. Seguiu para o castelo de Framlinghan, em Suffolk. Lá mesmo, teve a notícia de que em 9 de julho, Jane Grey tornou-se rainha forçada pela família. Mary não deixou barato, e no próprio dia 10 de julho, reconheceu-se como Soberana. Dudley reuniu seus soldados, porém foi tudo em vão: ainda em Bury, seu próprio exército declarou que não daria nem mais um passo contra a sua "Rainha Legal". Desesperado, Dudley mandou seu irmão à França, prometendo Calais e Guines se Henrique II se voltasse contra Mary. Não houve tempo suficiente, e no dia 19, Jane e Dudley foram presos. Mary agora era a Rainha Soberana incontestável da Inglaterra.         

marytudor88@yahoo.com.br

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A Rainha Gentil

 

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