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'Lady Mary,meu Príncipe...'
Algumas semanas depois, o
rei e a nova rainha Jane passaram um dia com
Mary. Eles lhe deram colares,um
anel de diamantes "muito bonito",d inheiro e um cartão dizendo para pedir o que
quiser. Os velhos tempos de pai e filha voltaram,e Mary havia novamente caído
nas boas graças do rei. Ela e a rainha se gostavam muito,e conversaram bastante
naquele dia. O natal de Mary foi
passado na corte,e foram-lhe dados mais presentes. Um fato chamou muita atenção
na corte: Jane Seymour fazia questão de andar lado-a-lado da enteada que era
tratada por 'Lady', fato bastante incomum para uma rainha. Nesta época, a rainha
Jane engravidou,e Mary seguiu para o Palácio de Hundson. Apesar da distância,
continuavam a se escrever, e Mary mandava-lhe pepinos frescos. Em retribuição,
Jane lhe enviava flores de Hampton Court. (Jane
Seymour)
As duas eram católicas,o que por vezes provocava a desconfiança do rei. Mas ele estava muito feliz pela reconciliação com a filha.E les passaram quase dez anos separados e agora tinham uma boa relação,apesar de Mary sinceramente ainda pensar que o casamento dele com sua mãe era totalmente legítimo. Ela nunca tocava no assunto com o pai, para não haver novamente uma confusão. Mary quase o amava como antes. E ele,agora, tinha uma obsessão pela filha, já que seu bastardo Henry Fitzroy morrera há poucos meses.
Casamentos para Mary continuavam sendo arranjados. O mais recente noivo,era o príncipe Sebastião de Portugal, seu primo. Jane ficou muito feliz com a proposta, e deu o seu consentimento para as negociações prosseguirem. Porém, o noivado foi quebrado logo depois.
Em 1537 ocorreu a dissolução dos mosteiros,feita por Henrique VIII. Todos os santuários religiosos da Inglaterra foram saqueados e 'doados' para o Tesouro Real. O ato aumentou bruscamente a fortuna do rei, deixando os cofres públicos mais abarrotados do que nunca. Mary considerava tudo isso uma 'calúnia'contra a Fé de Roma , porém nada falou de sua opinião.
Quando o filho de Jane
Seymour estava para nascer, Mary seguiu para o castelo de
Hampton Court,onde encontrava-se a rainha e a corte. Seymour deu à luz para um
menino que foi chamado de Eduardo, em 12 de outubro de 1537. O rei finalmente
conseguira um herdeiro homem para o seu trono. Mary foi sua madrinha em um
suntuoso batizado poucos dias depois. Ela mesma,também havia amadrinhado um
sobrinho da Rainha Jane. (Mary
aos vinte anos)
Porém, o destino não foi tão bondoso para com a família real: a própria Jane morreria em conseqüências do parto no dia 24 daquele mês. Sua enteada ficou "desvairada de tanta tristeza", e foi a comandante do velório, à pedido do rei. Quando ela foi enterrada, Mary seguiu na frente do cortejo, em um cavalo preto e roupas de igual cor, dando esmolas. Ela estava muito rica. Além de ter recebido a herança da mãe, Mary foi uma das principais beneficiadas no testamento de Jane: ganhara muitos broches, pingentes, vestidos bordados com ouro, pedras preciosas, perfume elegantes, sem falar em dinheiro.
Ela nos próximos anos, representado seu papel de madrinha, se encarregará da educação de seu novo irmão. Quem agora foi reintegrada à família real foi Elizabeth, a filha do rei com Ana Bolena. Depois da execução da mãe ela foi afastada da corte,e até passou necessidade. Ela agora em 1538 com cinco anos, era uma menina graciosa, de cabelos ruivos e olhos negros(como a mãe). Tinha uma palidez excessiva, porém era indiscutivelmente saudável. Mesmo sendo tão pequena, tinha consciência de que era bastarda e do triste destino dado à mãe. Como Mary, herdara a inteligência e esperteza dos pais. Lady Elizabeth procurava manter-se afastada da irmã mais velha, mas isso não significa que desgostava dela.Pelo contrário, pois Mary sempre teve muita paciência com crianças, e o seu maior sonho era ser mãe. Nesta época, todo o seu evidente amor maternal era despejado nos irmãos.
Mary era bem bonita. Foi dita,desde como 'de rosto e pessoa formosos' até como ''com excesso de beleza e mediocridade''ou "de rosto bonito, conjunto belíssimo, pele branca e rosada nas faces". Ela tinha cabelos loiros avermelhados, olhos cinza(ou verdes,dependendo da descrição), estatura mediana de complexão pequena, corpo magro e bonito, e uma voz muito grave e áspera (herdada da mãe). Ela tinha lábios pequenos e finos, como seu pai, nariz pequenino e delicado. Vestia-se com tamanha riqueza e suntuosidade, que era incapaz de mostrar-se em público sem o pescoço envolto em jóias. Gastava muito dinheiro. Agora que o reino da Inglaterra estava sem uma rainha, ela desempenhava este papel, chefiando as festas, aparecendo em cerimônias oficiais ao lado do rei, usando as jóias da coroa. Porém, continuava sendo tratada como 'Lady Mary'.
Algumas vezes aconteciam episódios interessantes,como de um cortesão cumprimentar 'Lady Mary,meu Príncipe'. Quando pediam as mais sinceras desculpas, alegavam que por 'tantos anos,erroneamente é claro,estiveram a chamar a predita milady como tal...'. Isso era o que o povo pensava sinceramente. Eles estavam convencidos de que Mary era realmente o 'Príncipe', e que o casamento de sua mãe era totalmente legal. Reação normal em um país predominantemente católico .Mas, por incrível que pareça, até os protestantes acreditavam que a falecida Catherine era a rainha, e sua filha, o 'Príncipe'. Catherine, havia sido simpática e piedosa, conquistando a afeição de todos. E Lady Mary, sua filha, tentava fazer igual.
Mary noivou novamente em
1539. O recém-chegado Philip da Bavária, havia cortejado-na
em Westmister sem saber de sua posição de filha do rei. Apesar de opostos pelas
idéias religiosas (Philip era luterano), eles conversaram em
latim, francês e em
alemão por um tradutor. O embaixador escreveu à Francis I, que
houve um beijo
nos lábios quando se despediram. O rei colocou-lhe como Cavaleiro da Ordem da
Jarreteira. Com a elevação, toda a corte pensou que haveria um casamento entre
Mary e Philip. Como não é novidade, o casamento nunca seria
concretizado. (Ana
de Cleves)
O rei Henrique procurava outra esposa, apesar de estar muito doente. Depois de passar os olhos sobre Christina da Dinamarca (sobrinha de Catherine de Aragão), Marie de Guise (acabou casando-se com o rei da Escócia), e Renée de França (casou-se depois o Ercole, duque de Ferrara), ele chegou à Ana de Cleves. Ela era uma princesa da Alemanha, e tinha uma família protestante(apesar da própria Ana ser católica conservadora). Ana tinha a mesma idade de Lady Mary. Aproveitando a aliança protestante, o rei ansiava completá-la ainda mais casando sua filha Mary com o irmão de Ana. Aliança qual quebrada antes mesmo de ser consolidada.
As núpcias do rei foram realizadas nos primeiros dias de 1540. Porém, ele estava realmente desagradado com a nova união: Ana de Cleves era uma moça muito agradável, mas era feia. Henrique,h avia a conhecido primeiramente por um retrato que não condizia com a realidade. O resultado foi mais um divórcio, realizado com o consentimento de Ana, seis meses depois. Ela permaneceu na Inglaterra com uma vultuosa pensão dada pelo rei, que havia realmente gostado dela como amiga. Mary e a princesa Ana tornaram-se muito próximas depois do infausto casamento. Logo depois, o rei casou-se com Katherine Howard a sobrinha do duque de Norfolk, e prima em primeiro grau da decapitada Ana Bolena. Tinha apenas dezoito anos, cinco anos mais nova que Mary. Katherine conquistou uma reputação de promíscua, mantendo um affair com vários homens mesmo depois de casada. Todos sabiam de tudo, senão o velho rei Henrique.
Mary desgostava de Katherine
.A nova rainha dizia à corte que "Lady Mary não a
tratava com a
devida reverência". Ela usou seus poderes para demitir três das damas de
honra favoritas da enteada, e convenceu ao rei para diminuir a mesada da filha.
Chateada, Mary resolveu harmonizar-se com a madrasta, que devolveu-lhe as
criadas, e aumentou sua mesada.Tanto que Lady Mary pediu-a para interceder por
Margareth Pole, quem havia sido sua governanta. Margareth tinha sido presa na Torre
de Londres por desrespeitar as ordens do rei. Katherine disse-lhe que faria o
possível. De nada adiantou de nada, já que Margareth foi executada dolorosamente em
1541. Seu carrasco era inexperiente, e antes de morrer, seu ombro foi cortado em
pedaços. Mary amava muito sua governanta, qual além de ter sido grande amiga da
rainha Catherine, foi a madrinha de Mary. O caso além de ter chocado-a, deixou
toda a Europa embasbacada. O motivo não foi considerado forte o suficiente para
executar uma mulher com mais de setenta anos. Por este motivo, e a humilhação da
rainha Catherine e da filha, que Henrique VIII era até então o rei mais odiado da história
da Inglaterra . (Katherine
Howard)
O reinado de terror de Henrique continuava, e sua próxima vítima seria sua quinta mulher .Katherine foi aprisionada em novembro de 1541 com a acusação de adultério. Acusação, sem dúvidas, verdadeira.Ela foi executada em 13 de fevereiro de 1542. Neste dia, o rei brincou o tempo todo com Elizabeth e Eduardo, compôs e tocou músicas com Mary.
Agora a Inglaterra estava novamente sem rainha, e Mary voltou a ser a principal figura na corte. Ela tinha também o papel de ser mãe de seus irmãos. Brincava com eles, e escolhia as suas roupas. Às vezes, desagradava-os já que não eram muito apegados ao seu luxo. Ambos eram calvinistas, e como tais, procuram não se apegar às diversões, jóias e dinheiro. Mary era contrário de tudo isso. Ela era viciada em jogos de azar, e gastava demais no alfaiate e joalheiro. Era muito apreciadora de festas com bebidas, apesar de não embriagar-se. Quase nunca sorria, e era muito séria. Dizia que ela era a "a dama mais infeliz da Cristandade": não era casada, não tinha filhos, e era uma bastarda. Estava já com vinte e seis anos, e a maioria das jovens de sua idade já estavam casadas, e com ao menos três filhos. Uma das suas poucas amigas de sua idade que não tinha crianças era Catherine Parr, a Lady Latimer.Catherine tinha trinta anos, já tinha casado duas vezes com homens muito mais velhos .Ela era luterana e erudita, e filha de uma ex-dama de honra da mãe de Mary. Talvez tenha sido também afilhada da rainha Catherine de Aragão, de onde vem o seu nome.
E foi com ela que o rei se
casou em julho do ano seguinte. Mary quando soube da notícia em Woodstock,
mandou
seus comprimentos. Ela compareceu à cerimônia como dama de honra.Antes do
casamento, Mary acompanhou os noivos para o sul da
Inglaterra. (Catherine
Parr)
Catherine tornou-se uma mãe para Elizabeth e Eduardo, e aprimorou sua amizade com Mary. Ela aumentou a mesada da amiga,e afundou-a em jóias e ricos vestidos. Elas procuravam nunca falar em religião, já que com pontos de vista tão opostos, com certeza viriam discutir. Ambas adoravam festas e danças, e estavam naquele tipo de local sempre juntas. Diferente do rei Henrique, que apesar de ter semelhantes gostos, a gota na perna o impossibilitava de dançar e até mesmo de ir às festas. Elizabeth e Eduardo recusavam-se a ir, já que consideravam este tipo de diversão como 'orgias'.
Certa vez, Eduardo que na época contava sete ou oito anos, escreveu à Catherine Parr dizendo para cuidar da irmã Mary, já que com suas festas e vestidos luxuoso estava sendo espetaculosa demais e "deixando de comportar-se como uma Princesa cristã". Podemos conferir a grande maturidade de Eduardo, e sua reprovação ao espírito libertino da irmã. Elizabeth também não tinha opinião muito diferente, apesar de ser um pouco menos radical.
Neste tempo, Mary tornou-se muito
doente. Na realidade, ela nunca havia se curado
totalmente das várias doenças( cólicas menstruais fortes, de vez em quando
amenorréia, insônia
e náuseas) que sofrera há dez anos atrás, na época do divórcio dos pais.
Rainha Catherine, por sua vez, mandava-lhe remédios e os melhores
especialistas da Inglaterra. Quando não estava na corte,
ela recebia contastes
visitas do rei e da rainha que mantinham-se bastante preocupados. Seus noivos
(refiro-me assim, pois nesta época mudou-os constantemente) despachavam
mensagens à
Inglaterra perguntando de sua saúde,e demonstrando preocupação de 'Lady Mary'
nunca poder gerar filhos. Recebiam curtas notas, dizendo que 'ela se restabelece
com tanta força, que com certeza conceberá.' (Lady
Mary Tudor aos 28,por John Corvus)
Depois de mais de dez anos de ilegitimação, em 1544 o rei Henrique resolveu devolver o acesso ao trono para as suas duas filhas bastardas; o parlamento aprovou a proposta. Agora atrás de Eduardo, Mary e Elizabeth eram as herdeiras respectivamente. Foi um gesto de grandeza do rei em colocar suas duas filhas ilegítimas, à frente dos filhos das Princesas Mary e Margereth, nascidos em 'verdadeiro casamento'. Na realidade nenhum dos filhos de Margereth, James V rei da Escócia e Lady Margareth Douglas estavam na linha de sucessão. Para o rei Henrique uma sucessão escocesa seria a perdição da Inglaterra, e quanto a Lady Margareth, para pôr uma mulher no trono, preferia uma de suas filhas.
Apesar de Mary estar com uma certa comodidade como ilegítima, ela ficou eufórica com a decisão. Porém sua posição de Princesa não foi recuperada, ela apenas foi reintegrada à sucessão. Agora, os cortesãos e em alguns comunicados do rei, já se dirigiam a ela como "Princesa Mary". O cômico foi que o rei e a corte continuaram a dirigir à Elizabeth como 'Lady'. Isso demonstra a rejeição de Elizabeth e que o seu cognome de 'filha da grande prostituta' ainda permaneciam.
Em finais de 1546 o rei adoeceu gravemente, e em janeiro do ano seguinte veio a morreu. Mary provavelmente estava ao seu lado. Foi dito que algumas horas antes de dar o 'suspiro final', ele lhe disse que morria triste por não tê-la casado. Alguns Protestantes da época, afirmaram que o rei encarregou sua filha mais velha de proteger o pequeno Eduardo das ameaças papistas. Esta última afirmação é com toda certeza irreal, já que Henrique tinha plena consciência da religião de Mary, e que sua fé interferia diretamente em seu caráter.
Eduardo, então aos 9 anos foi coroado rei Eduardo VI. Como ainda era uma criança, passaria por um período regencial. Assim a Inglaterra estava sob domínio do tio materno do novo rei, Edward Seymour.
Os próximos anos serão tempestuosos para a Católica Mary Tudor, uma peça perdida em um jogo Protestante.
Por Larissa Pitta - marytudor88@yahoo.com.br