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O Desgosto Espanhol
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após a coroação de Mary como rainha, o embaixador Espanhol Simon Renard
propôs à ela uma aliança Anglo-Hispânica. No mesmo período Henry Couternay,
também ofereceu-se para desposar a rainha, mas sua vida repleta de orgias não
agradara-lhe muito. O pretendente favorito do Conselho era o arrogante, porém
inglês, Couternay. Eles desprezavam os estrangeiros, e sabiam que o xenofobismo
do povo também sentiria o mesmo. Afinal, não era o momento de uma rainha ainda
em condições nada instáveis, desafiar o orgulho Inglês deste modo. Em
segredo, as negociações para Mary I desposar o príncipe da Espanha Philip de
Habsburgo, filho primogênito do imperador Charles V, prosseguiram.
(Philip de Habsburgo)
A Rainha Mary estava animada com a perspectiva de casamento, e o próprio Príncipe Philip, relutante. Agora em 1554, Mary tinha 37 anos e Philip era um jovem de 26. Ele mandou alguns homens de confiança à Inglaterra, para informar-lhe quais eram as reais condições da rainha. Não muito animados com o que viram, os emissários responderam que "em algum dia, ela até pode ter sido bonita" mas que agora ela era "uma santa" que se vestia "muito mal". Ela agora não era uma mulher atraente, como era considerada até cinco anos atrás, mas não pode-se acusar-la de se vestir mal. Todos os seus contemporâneos a descreviam como uma mulher 'de estilo' e elegante. Mas talvez para a moda austera da Espanha, ela poder-se-ia considerada assim.
O Conselho Real aprovou o casamento apenas quando, a oferta de Charles V foi lançada: Mary compartilharia de todos os títulos de Philip, e o próprio seria Rei da Inglaterra somente enquanto ela vivesse; se por acaso Don Carlos (filho do próprio Philip em seu primeiro casamento) morresse sem herdeiros, Mary ou seu filho ascenderiam o Trono da Espanha; ela própria receberia pensão vitalícia de 60.000 libras anuais, retiradas da receita imperial. Tudo isso parecia generoso demais.
Por intermédio de um emissário,
Philip de Habsburgo desposou Mary Tudor em 6 de março de 1554; mas o próprio noivo só pisou em
solo Inglês apenas em 20 de julho. Ele instalou-se imediatamente em
Winchester, e encontrou-se com a Rainha Mary às dez da noite. Mary
imediatamente, simpatizou com ele. Philip tinha feições agradáveis, tinha
barba e cabelos dourados, além de olhos azuis e pequenos como contas. Até os
mais relutantes e xenófobos lordes ingleses se perguntaram se haveria mesmo o
que se preocupar com alguém aparentemente tão agradável. As núpcias foram
celebradas em 25 de julho, na Catedral de Winchester. Durante as festas de
comemoração, foi comentado que Mary dançava e cantava melhor do que Philip.
Ela também fez questão de mostrar suas habilidades musicais tocando flauta,
virginal e alaúde. Depois da lua-de-mel, também foi notado que a rainha Mary
estava muito feliz e com disposição para trabalhar até bem depois da meia
noite. A maioria dos relatos da época faz questão de exaltar a veracidade do
amor da rainha pelo marido. Mas nos dias de hoje, isso ainda é amplamente
debatido. Alguns sustentam a tese de que seu coração pertenceu pela vida
toda ao cardeal Reginald Pole, um amigo de infância e braço direito de Mary.
Seja como for, o que nunca se duvidou é que Philip realmente não a amava. Para
ele, o casamento não passava de assunto de Estado. Além disso, ele mantinha
relações extra-conjugais escondido de Mary, é
claro. (Mary I e Philip
de Habsburgo, detalhe)
Em novembro do mesmo ano, Mary Tudor julgou-se grávida. Em abril de 1554, ela recolheu-se em Hampton Court para dar a luz. Enquanto isso, as perseguições religiosas deixavam as fogueiras humanas cada vez mais acesas. Um dos motivos era que quando Philip de Habsburgo chegou, ele havia prometido exterminar o Protestantismo em seis anos. Promessa muito tentadora para uma rainha preocupada e manipulável, e para um Conselho impiedoso e sedento de sangue. Enquanto a rainha Mary estava na calmaria (ou alienação) do Hampton Court, ela deixava seu marido e o Conselho reinarem para ela. A rainha passava seus dias atirada nas almofadas, discutindo com as parteiras sobre o parto. Ela estava preocupada se sua idade (38 anos, muito para a época) poderia gerar problemas. Para acalma-la, a parteira lhe mostrou um robusto casal de gêmeos filhos de uma mulher em situação parecida com a dela pequena, magra, debilitada, e não muito jovem.
Começaram as desconfianças quanto a gravidez de Mary quando avançou junho ainda não havia nem sinais de parto. A situação se complicou quando surgiu o rumor por toda a Europa de que Mary havia tido um menino louro e robusto em 30 de abril, boato logo desmistificado. Constrangida com a situação, a rainha ficou sem aparecer em público por meses. Todos finalmente se convenceram que ela sofria de gravidez psíquica, e os sintomas da menopausa começavam a aparecer.
Charles V abdicou o Trono da Espanha, em 1555, em favor de filho Philip. Exausto da esposa, Philip achou este um bom pretexto para ir embora da Inglaterra. Assim ele foi em 29 de agosto de1555, enquanto a rainha observava, com os olhos cheios de lágrimas, sua embarcação até esta desaparecer no horizonte.
Apesar de afastado, Philip continua palpitando na Inglaterra de longe. Ele
até
propôs a Mary que o tesouro da Marinha Inglesa ficasse em sua próprias mãos.
Porém, ela demonstrando ponderação para com o marido, se negou a isso. Philip
de Habsburgo então muito irritado, ficou meses sem se corresponder com a
rainha, e ela, punha a culpa na "incapacidade dos mensageiros". Outro
episódio interessante se deveu quando a rainha Mary descobriu os casos
extra-conjugais do marido. Ela simplesmente mandou retirar o quadro de Philip do
Conselho Privado, e ordenou que a corte cessasse de chamar-lhe de Príncipe ou
até rei, e tratasse-o simplesmente por Sir. (Vitral
de Mary e Philip no Castelo de Escorial, Espanha)
Quando Philip finalmente retornou à Inglaterra em inícios de 1557, ele trouxe guerra em sua bagagem. O fato era que o novo Papa Paulo IV havia quebrado o domínio híspano-austríaca de mais de meio século em Roma. Para completar, fez aliança com o principal inimigo do ex-aliado, a França. Resultado, guerra. E a principal cartada de Philip, a Inglaterra. A pedido do marido, a rainha Mary entrou de cabeça no conflito. Philip foi novamente embora em março. Em 7 de janeiro a guerra contra a França já estava declarada. As frotas de Mary e Philip foram plenamente abatidas, e em janeiro de 1558 a Inglaterra perdia o principal e mais rico domínio, a próspera Calais. O porto de Calais ficava na costa francesa, e foi cognominada de 'Mais Imponente Jóia da Inglaterra'. O lugar era uma tradição, já que foi mantida por 211 pela Inglaterra. Quando soube da perda a rainha gritou a frase que se tornaria célebre: "Quando eu morrer e abrirem o meu peito, encontrarão o nome de Calais gravado em meu coração". Esta foi uma das frases mais famosas da história de Calais e também da Inglaterra.
Nesta mesma época, Mary julgou-se novamente grávida. Ela deu as boas novas à Philip, e pediu para que ficasse ao seu lado neste momento feliz. Philip deu-lhe sua felicitações, mas expressou que não sairia da Espanha. Além do mais, de quem seria o filho se eles não tinham contato há um ano? Não seria dele.
Porém, tudo novamente não passava de sua gravidez psíquica.
Mary mergulhou em depressão. Escrevia cartas manchadas com suas lágrimas à Philip, e ao não receber as respostas, culpava a 'incompetência' dos mensageiros que não faziam as mensagens chegar ao seu destino. Ela passava horas e horas com os joelhos junto ao queixo, e andava pelo castelo como um fantasma.
Uma peste, com o mesmo caráter
da malária,
assolou
a Inglaterra no verão de 1558. E a rainha foi atingida pelo mal em setembro. Vítima
também de 'excesso de bílis', hidropisia ovariana e sífilis, Mary tornou-se tão
fraca, que os médicos desenganaram-na. No dia 6 de novembro, enviou as jóias
da Coroa à Elizabeth, e fez o testamento, deixando como rainha a irmã mais
jovem. Sofreu longos períodos de inconsciência; ao despertar de um deles,
disse que sonhou com crianças brincando e cantando em volta dela. Em 17 de
novembro, ouviu missa pela madrugada, e às seis horas da manhã, morreu. (Mary
& Philip)
Construído e projetado por:
Larissa Pitta